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| Crédito: FreePik |
Novas
metodologias podem e devem ser aplicadas, desde que haja critérios e objetivos
claros, como favorecer a conexão dos estudantes com a realidade
“A escola não existe para correr atrás de
respostas, mas para sustentar boas perguntas”, diz o doutor em Educação Paulo
Tomazinho, também membro do Conselho de Inovação do Sindicato das Escolas
Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O argumento do especialista serve de alento
às instituições de ensino, que se veem cercadas pelas novas tecnologias,
metodologias ativas e pela hiperconectividade. Afinal, qual deve ser o
posicionamento delas na formação de estudantes em um mundo que muda o tempo
todo tão rápido?
Para Tomazinho a solução passa pela
intencionalidade pedagógica. Isso significa incorporar robótica, espaços maker
e empreendedorismo, por exemplo, mas com critérios. Além de objetivos claros
para isso, como favorecer protagonismo, autoria e conexão dos estudantes com a
realidade.
“A educação não pode ser reduzida a
treinamento técnico ou acúmulo de competências. Educar é formar sujeitos
capazes de se posicionar no mundo com responsabilidade, discernimento e
abertura ao outro, integrando conhecimento, ética e convivência em um mundo
cada vez mais complexo”, reforça o professor, estudioso da Inteligência Artificial
(IA).
Inovação exige treinamento e apoio
A presença da IA no cotidiano educacional, já
é uma realidade. Uma pesquisa global do Google em parceria com a Ipsos mostra
que 85% dos estudantes adultos utilizam as ferramentas para apoiar os estudos,
principalmente para compreender conteúdos complexos e realizar trabalhos
acadêmicos. Nesse cenário, o professor reforça que o desafio das escolas não é
barrar a tecnologia, mas dar sentido ao seu uso.
Entre os exemplos bem-sucedidos de aplicação,
estão as experiências internacionais, como a Alpha School, no Texas, em que a
IA atua como tutor individual por parte do dia, enquanto o restante do tempo é
dedicado a projetos e desafios. “Os resultados são promissores, com alunos
aprendendo até duas vezes mais rápido do que em turmas tradicionais”, observa.
No Brasil, iniciativas semelhantes já vêm
sendo testadas, especialmente com alunos de inclusão e estudantes afastados por
longos períodos por questões médicas. “Os resultados são animadores, mas ainda
incipientes para uma adoção massiva”, conta.
O que pode mudar esse quadro por aqui é o
treinamento e a formação continuada dos professores. “Algo que o Sinepe/PR faz
ao oferecer capacitação continuada na sede e
regionais do interior”, afirma.
IA não substitui decisão educativa humana
O ponto central para o educador é compreender
que a IA amplia a leitura do processo, mas não substitui o julgamento
pedagógico”, reforça. Para ele, a pergunta mais relevante não é se o aluno usou
IA, mas o que seu cérebro precisou mobilizar ao utilizá-la.
Nesse contexto, o papel do professor se
fortalece, já que a tecnologia tende a substituir tarefas repetitivas, mas
nunca a função formativa. “Usando IA, o professor compra tempo para fazer o que
nenhuma tecnologia consegue fazer: a mediação pedagógica, a presença, o exemplo
humano”, pontua Tomazinho.
Por fim, o professor faz um alerta sobre os
limites do uso da tecnologia na educação. “Se a escola terceiriza o julgamento
pedagógico a qualquer sistema, terceiriza sua própria identidade e responsabilidade.”
Para o educador, quando tecnologia, inovação
pedagógica e intencionalidade caminham juntas, a escola fortalece sua
identidade e amplia a qualidade da experiência educacional, preparando
estudantes para lidar com os desafios de um mundo em constante transformação.
Sobre o Sinepe/PR
Desde 1949, o Sindicato
das Escolas Particulares representa
as escolas por meio de ações que possam conquistar ganhos para todo o grupo de
escolas - junto ao poder público, aos meios de comunicação e até na esfera
jurídica. Tem como um de seus objetivos estreitar as relações entre os
proprietários de escolas conhecendo suas necessidades e representando-os junto
a outros segmentos; propiciar meios para aprimorar a atuação dos
estabelecimentos de ensino, através de atividades educacionais e culturais,
promovendo e zelando pela conduta ética dos seus associados. O Sinepe/PR
oferece às escolas associadas o apoio e orientação necessários ao bom
desempenho de suas atividades, nas áreas pedagógica, administrativa e jurídica.




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