Caminhada literária leva mensagem de combate ao feminicídio às ruas do Gama

Mobilização promovida pela Academia Gamense de Letras reuniu cerca de 200 pessoas em ato de conscientização com literatura, cultura e participação popular

Brasília (DF) — O Gama recebeu uma mobilização marcada por literatura, cultura e engajamento social com a realização da primeira Caminhada Literária de Combate ao Feminicídio, promovida pela Academia Gamense de Letras (AGL). A ação reuniu cerca de 200 participantes, entre moradores, estudantes, educadores e representantes de instituições da cidade.




O ato teve início na sede da AGL, no Setor Central, e seguiu até a Administração Regional do Gama. Durante o trajeto, os participantes levaram faixas, cartazes e mensagens de conscientização, transformando as ruas em um espaço de reflexão pública sobre a violência contra a mulher.


A caminhada também contou com a participação da bateria da Mocidade do Gama, que deu ritmo ao percurso e reforçou a presença da cultura popular em uma ação voltada à cidadania e à transformação social.


Para a presidente da AGL, Zenilda Vilarins, a iniciativa reafirma o compromisso da instituição com pautas urgentes da sociedade.


“A Caminhada Literária Passos e Versos por Elas reafirmou nosso papel na sociedade, o compromisso com a transformação social e a conscientização sobre a nossa realidade. Mais do que um evento, foi um momento de reflexão, de exercício da empatia e de reconhecimento da literatura como uma poderosa ferramenta de mudança capaz de transformar pensamentos e atitudes. Seguimos caminhando, escrevendo e refletindo, sempre juntos”, afirmou.


O vice-presidente da AGL e idealizador da caminhada, Manoel Pretto, chamou atenção para a importância da participação masculina no enfrentamento à violência de gênero.


“Os homens precisam assumir essa luta como parte da sua própria transformação. Não se trata apenas de apoiar, mas de reconhecer o papel que historicamente tiveram nessa estrutura e agir para mudar essa realidade. Combater o feminicídio também é um compromisso masculino com uma sociedade mais justa e equilibrada”, destacou.


A mobilização teve ainda a participação de professoras e estudantes da Escola Classe 21 do Gama, que levaram cartazes produzidos pelas próprias crianças. A presença dos alunos reforçou o caráter educativo da ação e a necessidade de formar, desde cedo, uma cultura de respeito e igualdade.


A professora aposentada Zelma da Luz ressaltou a importância da experiência para a formação cidadã dos estudantes.


“Essas crianças nunca vão esquecer esse momento. Quando elas participam de uma ação como essa, elas não estão apenas aprendendo sobre um tema — estão formando valores, construindo consciência e entendendo, desde cedo, a importância do respeito e da igualdade”, disse.


A presidente da OAB Gama, Fabrina Gandra, também participou da caminhada e destacou o papel das instituições na proteção das mulheres e na ampliação das ações de conscientização.


“Nós estamos aqui hoje acompanhando essa caminhada, representando a OAB. Nós estamos aqui para garantir que nenhuma mulher caminhe só. As mulheres merecem caminhar livres e sem medo. Temos também projetos de vítimas assistidas e um projeto agora que está sendo desenvolvido nos jogos de futebol. Nós sabemos que a violência aumenta em dias de jogos e é por isso que a nossa comissão de enfrentamento está trabalhando em todos os jogos, trabalhando no Candangão, para que a gente leve essa conscientização e cheguemos até o fim da violência contra a mulher”, afirmou.


Representando a Mocidade do Gama, a presidente Edilamar Melo, a Dila, destacou que o envolvimento da agremiação em ações sociais faz parte da sua missão junto à comunidade.


“O papel social da escola vem em primeiro lugar. A Mocidade do Gama, além de ser carnaval, samba e festa, tem como missão estar junto da comunidade, promovendo ações culturais, sociais e educativas. Precisamos estar presentes em todos os movimentos da cidade”, afirmou.


Segundo a organização, a adesão poderia ter sido ainda maior, mas a data coincidiu com a paralisação da categoria dos professores. Mesmo assim, a participação foi considerada expressiva.


Ao unir literatura, educação e mobilização social, a caminhada reforça a importância de ampliar o debate público sobre a violência contra a mulher e de construir, coletivamente, caminhos de transformação.

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